Brasil: O fazendão do mundo

Lucas Villela Canôas 11/ago/2014, 22h29

*Por Lucas Villela Canôas

O agronegócio (que movimenta bilhões de reais ao ano, que ficam concentrados em poucas mãos) no Brasil surgiu nos moldes atuais (num modelo industrial) no fim do século XX. Com a chamada “revolução verde”, o uso de agrotóxicos, fertilizantes e sementes transgênicas (Com destaque da Monsanto, que criou o agente laranja) se espalharam pelo mundo e passaram a ser modelo de produção mundial. Isso sustenta vários problemas em nossa sociedade, que vão do uso da terra ao congresso nacional.

Desperdício de água e contaminação

O agronegócio é o setor que mais gasta água no Brasil, tudo isso por causa do modelo de irrigação, que é arcaico. Ele continua assim, pois os grandes latifundiários tem descontos (quando não pagam) a água usada, então não precisam fazer investimento para modernizar sua estrutura. Além do desperdício, a água (rios e lençóis freáticos) é constantemente contaminada por agrotóxicos, que é a segunda maior causa, de acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE em 2011 (saneamento e meio ambiente). Essa poluição aumenta o custo do tratamento da água, quando o rio chega na cidade para ser captada e transformada em potável, mas além disso, muitas populações ribeirinhas não tem acesso ao tratamento de água e bebem a água contaminada.

E a concentração de terra?

O Brasil tem uma concentração de terra absurda, que vem desde a colonização com as capitanias hereditárias. Em 2010, 2,5% dos grandes proprietários detinham 55,8% das terras no Brasil (sendo 40% improdutiva) e 97,5% ficavam com 44,2% da terra. Essa concentração piora com o tempo, pois o modelo do agronegócio expulsa o pequeno agricultor, que não tem grande capital para investir em agrotóxico, fertilizantes e sementes transgênicas e caso queira pedir um empréstimo ao banco, tem que garantir que usa esses produtos.

O cara que é expulso do campo pelo agronegócio, tenta a sorte na cidade e na maioria das vezes mora em áreas sem infraestrutura, um movimento que faz a cidade inchar e que dá lucro pro especuladores imobiliários. Com esse crescimento desordenado, o concreto engole nossos mananciais, que é onde a captamos a maioria de nossa água.

A maioria dos latifúndios são improdutivos (não cumprem função social), mas os produtivos geralmente fazem soja (para posteriormente alimentar animais) ou para exportação (alimentar gringos), ou seja pouco fica para alimentar a população brasileira, cerca de 60% da alimentação do nosso povo é garantida pela pequena propriedade, ou seja: agriculta familiar.

Ou seja, nós ficamos com nossas terras concentradas nas mãos de poucos, contaminam nosso solo, nossa água, esses poucos obtêm retorno financeiro e nós ficamos com o resto!

Para onde vai o retorno financeiro?

protesto contra o novo código florestal - 2012

protesto contra o novo código florestal – 2012

O retorno financeiro vai por exemplo, para as campanhas eleitorais. No Brasil temos algumas empresas que se destacam como por exemplo a JBS (uma das maiores empresas do mundo no ramo alimentício), Bunge, Cosan, Syngenta e muitas outras. Com este tipo de financiamento, as empresas elegem a chamada bancada ruralista, que rasga nosso meio ambiente. Como foi o caso do novo código florestal (Aldo Rebelo), em que os deputados votaram em benefício dos grandes latifundiários, e pela ampliação da destruição do meio ambiente.

Charge do Latuff

Charge do Latuff

Os mesmos caras empacam a demarcação de terras indígenas e desejam também tornar o processo de decisão de demarcação, uma tarefa do congresso nacional, que na prática é colocar o latifundiário para decidir a demarcação.

Vira e mexe, essa mesma bancada ruralista se junta à chamada bancada evangélica, para rasgarem os direitos humanos. Recentemente um vídeo de um deputado da bancada ruralista circulou pelas redes, em que ele declara seu ódio contra homossexuais, indígenas e quilombolas.

Então o agronegócio vai engolindo nossa terra, expulsando a população camponesa, envenenando nossa água, matando nossos índios e camponeses.

 

*Por Lucas Villela Canôas, militante do Juntos Campinas!

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