O “Sistema” está nu! Contra a corrupção, por mais direitos.

17/nov/2014, 16h52

Sara Azevedo

As manchetes de jornal estamparam a foto de bilionários presos pela polícia federal. Os grandes “cabeças” das empreiteiras que controlam o capitalismo brasileiro passaram à noite atrás das grades. Amanhecemos com a noticia bombástica da prisão da cúpula das 5 maiores empreiteiras (Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS, IESA, UTC), com 27 mandatos de prisão emitidos pela polícia federal numa operação chamada “lava à jato” que investiga os crimes cometidos no escândalo de corrupção envolvendo a Petrobrás. Um castelo de cartas que seguem caindo.

O MTST (movimentos dos trabalhadores sem teto) as vésperas da copa, junto com outros movimentos como o JUNTOS realizou várias manifestações pela cidade de São Paulo, que ao final, culminaram na ocupação da sede de várias dessas empreiteiras que hoje tem seus dirigentes presos.

A “ironia do destino” quis que estas prisões se concretizassem um dia após a maior manifestação da cidade neste ano de 2014. A Marcha “Por menos direita Mais direitos” disputou nas ruas contra a direita um legado de lutas sociais e denunciando os ajustes impostos pelo governo Dilma.

 É o SISTEMA!

A prisão revelou o “modus operandi” da verdadeira quadrilha que assalta os cofres públicos. As empreiteiras pagam propina para o governo e para deputados da base aliada. O governo oferece concessões em obras astronômicas para as empreiteiras que fazem cartel para garantir seus lucros,também astronômicos, a exemplo das obras da copa do mundo em Belo Horizonte, onde teve o desastre do desabamento de um viaduto levando a morte trabalhadores inocentes.

Essas empresas precarizam e pagam muito mal os trabalhadores. Várias delas respondem por responsabilidades na morte de seus funcionários como as mortes de operários na construção dos estádios da copa.

Para “retribuir” as empreiteiras financiam as campanhas dos Partidos do Sistema. No caso do escândalo da Petrobrás, diretamente o PT, PMDB e o PP. Contudo, o PSDB também tem envolvimento direto com essa lama toda. São as empreiteiras que alimentam os cofres do partido, por isso fez um acordo para abafar a CPI da Petrobrás.

Sujos e mal-lavados

A hipocrisia da direita não para por aí. O fracasso dos atos que pediam a intervenção militar no dia 15, onde acabaram divididos e esvaziados só demonstra que essa turma não pode oferecer qualquer saída para a crise que se alarga.

Se apronfunda a crise de representatividade exposta em junho de 2013 e põe a ordem do dia uma verdadeira mudança estrutural no sistema político brasileiro. Precisamos discutir com urgência uma pauta que combine a luta por mais direitos com a luta contra a corrupção e a punição imediata dos envolvidos.

Não podemos esquecer da responsabilidade do governo. Além de vender barato o patrimônio da Petrobrás, como no caso do leilão do Campo de Libra, Dilma até agora não explicou o papel que seus aliados tiveram nesse grave escândalo, tampouco desmentiu as delações premiadas de Youssef e Paulo Costa- este último nomeado por ela para cargo na estatal.

Um congresso desmoralizado

Os rumores de que dezenas de deputados tiveram envolvimento direto no escândalo da Petrobrás aponta que as relações promíscuas entre lobistas, empreiteiras e políticos do sistema ainda vão trazer mais e mais absurdos à tona.

O tema da reforma política se põe na ordem do dia, especialmente no que diz respeito ao financiamento exclusivamente público de campanha que toma força no novo cenário. Cabe avançarmos a nossa proposta conjunta com demais setores da sociedade civil e movimentos sociais, que pra além do financiamento se apresente mecanismos claros de participação e decisão popular. Trazer a luz do debate um verdadeiro debate sobre a democracia, que nem governo ou a direita estão dispostos a verem seus privilégios regidos pela vontade popular.

Esse congresso não pode produzir nenhuma reforma política séria por conta de sua desmoralização. A verdadeira mudança só pode vir das ruas. Temos que discutir uma verdadeira constituinte para refazer as regras da vida política do país e virar do avesso o sistema político.

 

A agenda de Junho segue pendente

Quando milhões foram as ruas gritar “não nos representam” os poderosos tremeram. Agora devemos seguir mobilizados para aprofundar as investigações e não dar nenhum passo atrás.

Para nós, os bilionários devem seguir presos. Devem ter seus bens expropriados para uso público. Devem ser feitos auditorias em todos os contratos e obras dos governos estaduais e federal com as empreiteiras suspeitas.

– Abertura do sigilo fiscal e telefônico de todos os envolvidos. Dilma e o PT devem explicações.

– Defendemos uma comissão formada pelos funcionários de carreira da Petrobrás, junto aos sindicatos e associações da categoria para investigar de forma independente os desvios dentro da empresa. Também é preciso anular os leilões do pré-sal. E retomar a bandeira de Petrobrás 100% estatal.

A chance para uma nova representação popular está atrelada à luta por mais direitos. Não vamos dar chance às viúvas da ditadura. A nossa saída continua a mesma: a esquerda e nas ruas junto com o povo. Mais direitos, mais lutas, mais greves, mais tribunos das nossas pautas.

Sara Azevedo é professora da rede estadual de MG e do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos