2º protesto contra o aumento da tarifa demonstra a força da juventude nas ruas

19/jan/2015, 12h21

*Por Gabriel Lindenbach

A segunda grande manifestação contra o aumento das tarifas de metrô, ônibus e trens na cidade de São Paulo, convocada pelo Movimento Passe Livre, aconteceu na última sexta feira, partindo da Praça do Ciclista, na região central da cidade. Em meio a chuva de verão, boicote dos grandes meios de comunicação e uma disputa política aberta contra os governos municipal e estadual, a manifestação reuniu até 12 mil jovens e trabalhadores e deu continuidade à jornada de lutas pelo transporte público aberta em 9 de Janeiro, quando, ainda na primeira quinzena do ano, milhares de pessoas se reuniram para dar respostas contra o aumento das tarifas no transporte aplicadas nas férias, da noite para o dia, por Haddad e Ackmin. A ostensiva repressão de sexta passada não nos intimidou.

Em um cenário nacional de ajustes fiscais e cortes de investimentos nas áreas sociais, o 16 de Janeiro ficou marcado pela grande disposição de luta e enfrentamento em defesa dos direitos sociais e serviços públicos, em especial do transporte público e do direito à cidade. Com atividades e manifestações concomitantes em todo Brasil, nossa manifestação percorreu a Rua da Consolação dialogando com a população, motoristas e cobradores dos ônibus, afirmando o compromisso de nosso movimento com a qualidade do transporte de forma global, inclusive para os que garantem com seu suor a mobilidade urbana de cerca de 7 milhões de usuários por dia, além de reafirmar o rechaço às manobras políticas arquitetadas pela prefeitura e seus simpatizantes. Ficou claro que temos apoio nessa luta por um transporte de mais qualidade e cada vez mais acessível.

O Juntos se organizou para fortalecer o movimento, compondo um bloco com centenas de ativistas, jovens, estudantes secundaristas e universitários, de Cursinhos Populares como a Rede Emancipa, professores, metroviários e companheiros do Movimento de Moradia Nós da Sul, de São Paulo. Em parceria com outras organizações e centenas de independentes, fizemos ecoar nossa voz pelo centro de São Paulo, com a força de quem já sabe e já conseguiu vencer através da organização coletiva e da luta direta, nas ruas.

Ao chegarmos na Prefeitura, pelo Viaduto do Chá, para o encerramento de nossa manifestação, já no cair da noite Paulistana, fomos recebidos com um arsenal de repressão ostensivo. Segundo fontes, mais de mil e quinhentos homens da Policia Militar foram mobilizados para dispersar nosso protesto, que vem ganhando força e corpo em diversos bairros e cantos da cidades e setores da sociedade. Mais uma vez, protagonizamos momentos de despreparo e violência gratuita por parte da polícia. Dezenas de manifestantes atingidos por balas de borracha, estilhaços de bomba e gases de efeito moral. Segue na ordem do dia também lutar contra a criminalização e a violência contra nossas manifestações.

Em parceria com o MPL, o MTST e todos os que vem se mobilizando, nós do Juntos esperamos enraizar a luta contra o aumento, nos bairros, escolas e espaços de socialização e trabalho da e da população no geral. É possível vencer e é necessário lutar, como demonstraram os metalúrgicos da Volks, no ABC. Nessa semana, estaremos no 3º Grande Ato contra o Aumento da Tarifa, no Tatuapé, e no panelaço contra o aumento na Periferia, organizado pelo MTST. Nossa luta continua, com a força de Junho.

*Gabriel Lindenbach é estudante de Geografia e faz parte do Grupo de Trabalho Estadual do Juntos