Quantxs LGBTs precisam ser assassinadxs para o Brasil reagir?

20/mar/2015, 12h30

* Por Maxsuel Ribeiro

A história mais uma vez se repete: mais um gay é assinado brutalmente.  Ronaldo Pepê Santos, de 40 anos, uma pessoa jovem, alegre, com uma vida inteira pela frente, um artista cheio de sonhos, admirado por todos os colegas do Balé Folclórico da Bahia, é mais um membro da comunidade LGBT que teve sua vida ceifada.

Vítima de mais uma espécie de crueldade humana contra homossexuais, Ronaldo foi assassinado com vários golpes de faca no abdômen e pescoço, caído sobre o seu próprio sangue e com sinais de luta corporal: sinais de que tentou se defender da morte, mas que, assim como os outros, não teve força suficiente para vencer o seu assassino.

O caso de Ronaldo se assemelha ao que ocorreu em 2013 na região de Buraquinho (município de Lauro de Freitas-BA), onde o homossexual, ator, bailarino e coreógrafo Augusto José da Purificação Conceição, conhecido como Augusto Omolú, de 50 anos, assistente de direção do Balé do Teatro Castro Alves (TCA), foi encontrado morto pelo caseiro, em sua chácara, usando somente uma cueca e apresentando perfurações de faca.

Pergunto-me: Quantos gays precisam ser assassinados para o Brasil reagir? No Chile, a morte do homossexual Daniel Zamudio, vítima de um crime semelhante ao de Ronaldo, mudou as leis do país e fez o governo e oposição implantarem políticas públicas de defesa à comunidade LGBT. Lei esta que recebeu o nome Daniel Zamudio. Mas no Brasil, o assassinato de Ronaldo Pepê Santos servirá apenas para aumentar a estatística de crimes por homofobia. Nada além disso.

Uma das poucas vezes que Dilma se posicionou contra a violência que a população LGBT sofre no Brasil, foi na época das eleições, com a alteração de Marina Silva ao parágrafo do seu Projeto de Governo sobre a aprovação de leis que criminalizam a homofobia e regulamenta a união civil de pessoas do mesmo sexo, após quatro tuítes de Silas Malafaia. “Sou contra qualquer forma de violência contra pessoas. No caso específico da homofobia, eu acho que é um ofensa ao Brasil. Então, fico triste de ver que temos grandes índices atingindo essa população. Acho que a gente tem que criminalizar a homofobia, que não é algo com o que a gente pode conviver”, disse Dilma.

Segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2013-2014, a cada 28 horas no país, um gay é morto. Sendo que neste período foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil. Aderindo aos interesses dos fundamentalistas religiosos e das máfias que pregam o ódio e convocam a violência contra os homossexuais, essas estatísticas, pelo visto, não assustam a presidente. Parece que tudo está normal para ela.  Dando a entender que a morte diariamente dessas pessoas não é um fato importante que mereça a atenção do Estado.

Isso é tão verdadeiro que em janeiro de 2015, o projeto que criminaliza a homofobia foi arquivado no Senado após tramitar por mais de oito anos sem avançar no Legislativo, da mesma forma que aconteceu com o programa ‘Escola sem Homofobia’. A principal resistência à proposta vem da bancada evangélica, que considera que o projeto viola o direito à liberdade de expressão, especialmente de líderes religiosos durante as suas pregações. Esta decisão levou o então militante anti-gay brasileiro, MAL-afaia, a parabenizar os senadores. E a comunidade LGBT ver mais um de seus sonhos serem enterrados por aqueles que se dizem representantes do povo.

* Maxsuel Ribeiro é estudante de Comunicação da UNIME-Itabuna (BA)