Solidariedade aos 500 da PUC Campinas!

Otávio Mancuso 23/abr/2015, 13h04

Um grupo de estudantes da PUC Campinas mobilizou uma manifestação¹ em frente à reitoria nessa quarta-feira (22/04), reivindicando o direito de estudar. A iniciativa foi uma resposta à nota da universidade² que explicitava a “Não realização de novas contratações” de financiamento via FIES para os estudantes ingressantes, matriculados em 2015.
O cancelamento do programa é consequência direta dos 7 bilhões cortados da Educação pelo Governo Dilma neste ano, para garantir o repasse para a dívida pública (especulação financeira) e afeta milhões de estudantes das universidades públicas e privadas por todo o país³. No Congresso os ajustes fiscais beneficiam os ricaços e os políticos envolvidos nos esquemas de corrupção; o povo paga a conta da crise. Crise essa que expõe o modelo de educação no setor privado: O da mercadoria.

Protesto de estudantes de diversos cursos na PUC Campinas em frente à reitoria, no Campus I.

Protesto de estudantes de diversos cursos na PUC Campinas em frente à reitoria, no Campus I.

A PUCC lava as mãos de forma criminosa diante do descaso do governo federal – afirma que o problema se deve ao aumento das mensalidades ter sido superior aos 6,4% previstos no programa²², e ainda que “de acordo com a lei, não tem nenhuma responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pelos alunos, para a contratação do financiamento” – dando o prazo de 30/04 para os ingressantes “insatisfeitos” cancelarem a matrícula e recuperarem o dinheiro investido. Ignora o sacrifício financeiro e pessoal de cada ingressante, ao mesmo tempo em que iniciou o ano com o aumento de 9% nas matriculas para garantir seus lucros, sem nenhum debate/transparência com a comunidade dicente. Os cancelamentos afetam cerca de 500 calouros, mas também prejudicam alguns veteranos que temem não poderem concluir seus cursos.
Após a pressão dos estudantes no Campus I, representantes da reitoria aceitaram debater a questão. Para justificar sua posição, a universidade destacou os “esforços da PUC-Campinas e de outras instituições de ensino superior, reunidas em suas associações representativas – destacando-se o ajuizamento de ações, ainda em trâmite e sem decisão judicial definitiva”. Refém da burocracia – apelou – só poderia orientar os alunos a questionarem o MEC.

“Mas não é possível dar desconto nessas mensalidade?”; “Não é possível abaixar o reajuste?”; “Não é possível dispor de outras condições de financiamento para os prejudicados?”… a indignação dos estudantes foi respondida, num gesto de indiferença, com novos apelos às restrições burocráticas e com um indicativo vago de que iria-se debater aquilo nas instâncias superiores. A PUCC deixou claro que não pagará pela crise, que quem pagará por ela serão os estudantes que acreditaram na propaganda de que a universidade aplicaria o FIES.
O único caminho vitorioso para os estudantes é a auto-organização, o debate e a mobilização! Desde já, nos somamos à luta dos 500 da PUCC, luta que é nossa e de milhões de brasileiros que buscam uma educação de qualidade e para todos. Assim convocamos todos e todas para a manifestação da próxima terça-feira (28/04) em solidariedade aos 500 da Puc, no Campus I em frente à reitoria, às 18h.

*Por Otávio Mancuso, militante do Juntos Campinas

¹http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/04/capa/campinas_e_rmc/254301-alunos-protestam-contra-suspensao-de-novas-contratacoes-do-fies.html

²https://www.puc-campinas.edu.br/noticias/5362/fies–nao-realizacao-de-novas-contratacoes–1o-semestre-de-2015/

³http://juntos.org.br/2015/03/26-m-uma-vitoria-importante-um-caminho-que-comeca-a-se-abrir/

²²https://www.puc-campinas.edu.br/noticias/5164/novos-esclarecimentos–fies/

 

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