28 de Junho: Nossa luta é nosso orgulho!

Bruno ZaidanJuntos LGBT 02/jul/2015, 01h33

No Dia Internacional do Orgulho LGBT, em que se relembra a revolta de Stonewall, que deu início ao movimento pelos direitos LGBT nos Estados Unidos, as LGBT do mundo inteiro tomaram as ruas por mais direitos. Da Turquia ao Brasil, os atos são os mais diversos possíveis, mas revelam uma realidade: o avanço das lutas sociais dá um novo fôlego para o movimento LGBT.

No Brasil, tivemos manifestações em diversos estados. O RS foi um exemplo marcante, com sua tradicional Parada de Lutas do 28 de Junho, em que as LGBTs tomaram as ruas por uma outra política LGBT. As principais presenças do ato foram a Luciana Genro e o Jean Wyllys, figuras simbólicas que nos representam com muita qualidade, sendo a primeira candidata à presidência a falar de transfobia em um debate presidencial, assim como o primeiro deputado gay assumido que luta pelos direitos LGBT. No DF, aconteceu a parada LGBT, que apesar da organização descolada dos movimentos sociais, conseguiu mobilizar cerca de 60 mil pessoas, com destaque pra presença do bloco composto pelo Juntos, pelo Ibrat (Instituto Brasileiros de Transmasculinidades). No PA, fizemos um saiaço pelo Fora Cunha, dando um recado para esse que é o maior inimigo da população brasileira!

Nos EUA, as LGBT puderam celebrar nesse dia uma vitória histórica: a conquista do casamento civil igualitário. Milhões de pessoas saíram às ruas no país inteiro para celebrar sua vitória, incentivando outras pessoas, inclusive de outros países, a lutar por seus direitos. Essa conquista pode e deve abrir caminho para muitas outras lutas, não apenas LGBT, mas de toda a população.

A Turquia é o outro lado da moeda. Em 2013, atos massivos tomaram as cidades para enfrentar o governo e o fundamentalismo religioso. Isso deu ânimo pras lutas democráticas nesse país, colocando mais de 50 mil pessoas na Parada do Orgulho LGBT daquele ano e abrindo espaço pras manifestações do começo deste ano, em que milhares de mulheres saíram às ruas por causa do estupro e morte de Özgecan Aslan. Agora, neste 28 de Junho, as LGBT mais uma vez organizaram sua Parada e se manifestaram por seus direitos e antes mesmo de saírem em marcha, foram duramente reprimidas. Com canhões de água, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, a polícia dispersou o ato, usando o “mês do Ramadã” como justificativa. Isso revela o medo de que as lutas democráticas acirrem o enfrentamento com o Estado e as políticas do governo turco.

Essa expressão mundial do movimento LGBT mostra o potencial que ganham as pautas democráticas em um momento de acirramento das lutas contra a austeridade e de polarização política como o que passamos, e a necessidade de alternativas anticapitalistas. Aqui, isso se expressou na campanha da Luciana Genro, que hoje é uma das maiores referências na defesa dos direitos das LGBT e que dá um duro enfrentamento às políticas de ajuste do governo. Quando a luta LGBT se choca com os interesses daqueles que controlam o Estado, nos tornamos perigosos para a ordem existente. Assim foi em Stonewall e segue sendo até hoje. O sistema capitalista não pode dar direitos iguais para todos, pois depende da superexploração da força de trabalho daqueles que são oprimidos, como as mulheres, os negros e as LGBT. Por isso, nossa luta é uma só: queremos uma sociedade radicalmente diferente em que muitos não sejam explorados por poucos.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017