A Passagem do ano

Theo Louzada Lobato 03/jan/2016, 15h03

“Eu não quero penalizar o passageiro”, essa foi a justificativa do Governador do Rio de Janeiro, Luiz Pezão, ao assumir a dívida de 39 milhões de reais da Supervia, empresa privada de trens no estado, argumentando ainda que essa medida garantiria que não se aumentasse o preço da passagem. Em menos de um mês, não só a ferroviária encareceu em 40 centavos, como os ônibus e as barcas sofreram da mesma especulação – um costumeiro presente de ano novo dado pelos nossos governantes.

No resto do país a situação não é diferente: de Roraima ao Estado de São Paulo, onde um acordo entre Alckmin e Haddad garantiu um “reajuste” conjunto, os transportes se tornam cada vez mais caros para os trabalhadores e lucrativos para os empresários – um cenário já bem conhecido pela juventude que vem se mobilizando nos últimos três anos, mas que merece uma melhor análise dentro do contexto atual.

Não são em poucos sentidos que muitos, como Marcelo Freixo recentemente escreveu, acreditam que 2013 ainda não terminou. A casta política, que evidentemente permanece a mesma, continua com seu jogo duplo de favorecer seus doadores de campanha e deixar a conta a ser paga pelos que já são de tantas formas atacados. Ao mesmo tempo as lutas políticas e sociais têm crescido e amadurecido desde junho daquele ano, com os excelentes exemplos que tivemos em 2015 das escolas ocupadas em São Paulo e Goiás e da Primavera das Mulheres.

Isso nos leva a uma reflexão de que papel pode ter esse aumento imposto pelos diversos governos estaduais e municipais em pleno início de 2016, tendo em vista que a juventude tem cada vez mostrado sua capacidade de reverter ações dessa arbitrariedade e que o final do ano passado mostrou que as portas abertas pela mobilização já têm sido e devem continuar sendo aproveitadas.

E essa situação não é em nada diferente. A resposta, assim como em 2013, tem que estar nas ruas, não só pelos já absurdos preços que nos são cobrados, mas contra toda essa política feita pela casta que está no poder, que entre tantas coisas, nos obriga a conviver com um modelo de transporte privado, de má qualidade e, como já ressaltado, cada vez mais caro. Para esse ano já está prometida uma radicalização – tanto por parte dos ataques que eles tentaram impor, quanto, e especialmente, pela resposta que nós daremos – e, certamente, 2016, por mais que conte com os velhos esquemas e golpes dos poderosos, será mais um ano de renovação na nossa luta e mais um espaço para mostrarmos a eles o que receberão em troca.

Por isso convocamos todos para os atos que se darão nesse dia 8 contra os aumentos das passagens em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras diversas cidades do país. Não deixaremos passar esse ataque e devemos nos mobilizar nacionalmente a partir dessa data e adiante!