Abolir o ICE – O movimento de massas se levanta contra a política racista de Trump
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Abolir o ICE – O movimento de massas se levanta contra a política racista de Trump

A luta contra a polícia migratória de Trump se massifica e toma novas dimensões. De manifestações ao acolhimento de vizinhos imigrantes em risco, os trabalhadores estadunidenses mostram o caminho da luta!

Victor Gorman 29 jan 2026, 14:55

Desde que Trump chegou à Casa Branca em 2025, em seu segundo mandato não consecutivo, a batalha contra as políticas xenófobas e racistas dessa administração tem sido um dos pontos focais da luta política e social nos EUA. Passando pela prisão de Khalil, os levantes em Los Angeles em 2025 e agora a luta massiva em Minneapolis após dois assassinatos pelo ICE, o movimento de massas tem buscado formas de resistir e nas últimas semanas chegou em seu ponto mais alto — manifestações massivas e que têm se expandido país afora falando em alto e bom som: Abolir o ICE!

Em 8 de março de 2025, na cidade de Nova Iorque, o ICE prendeu a liderança estudantil pró-palestina Mahmoud Khalil, da Universidade de Columbia,  inaugurando o que seria uma das tensões mais fortes entre o movimento de massas e Trump. Seguido por outras inúmeras prisões, deportações e perseguições contra estudantes estrangeiros, obrigando estudantes e membros da comunidade acadêmica de várias universidades, entre outras instituições de ensino, a se esconder, como no caso de Yunseo Chung, também em Columbia, ou da prisão absurda de Diana Patricia Santillana Galeano, professora de uma creche em Chicago que foi levada pelo ICE na frente de seus alunos.

ICE – A polícia política de Trump e os levantes de Los Angeles

Estava nítido a função que o ICE cumpre dentro da política da Casa Branca sendo sua polícia política e que estaria a serviço de perseguir, prender e levar às últimas consequências as orientações xenófobas e racistas de Trump. Na época, o movimento de massas estava reagindo com a construção do grande ato nacional, que unificava diversas lutas, que se chamava “Hands Off” (“Tire as mãos”), marcando a conjuntura por ser a primeira vez que os movimentos saem às ruas para protestar contra a administração que acabava de assumir. A luta contra o ICE, e especialmente pela libertação de Mahmoud Khalil estava presente, mas ainda em desenvolvimento. Vale lembrar que naquele momento nós do Juntos! lançamos o manifesto internacional que elaboramos com diversos diretórios estudantis americanos pela liberdade de Khalil e pela liberdade da organização estudantil, que contou com a assinatura de centenas de entidades estudantis. A libertação de Khalil significou uma grande vitória do movimento contra Trump, ainda que insuficiente para colocar o governo na defensiva.

Em junho de 2025, Trump lançou o que chamou de “a maior operação de deportação da história”, mirando cidades governadas pelo Partido Democrata, o que iniciou uma segunda etapa de experiência e enfrentamento do movimento de massas contra o ICE. O objetivo dessa operação era, como afirmaram membros do governo, aumentar de 650 prisões diárias para mais de 3.000. No entanto, em 6 de junho se abriu uma jornada de mobilizações em Los Angeles, e em outras localizações da Califórnia, que se espalhou por várias cidades, como Nova Iorque. Por quase duas semanas, milhares de pessoas enfrentaram as operações lideradas pelo ICE, tomando as ruas e se organizando nos bairros. Trump reagiu enviando a Força Nacional, aumentando ainda mais a repressão. A repressão à mobilização, a maior centralidade da pauta contra o ICE com as fortes manifestações nacionais do “No Kings”, gerou um forte impacto no governo, além do impacto que estava gerando em diversas áreas produtivas com as prisões arbitrárias, obrigando Trump a diminuir o tom. As jornadas de mobilizações marcaram um novo momento no enfrentamento ao ICE e ao governo.

Aliado à utilização da Força Nacional em diversas cidades com o argumento de combater o crime, as operações do ICE seguiram, inclusive adotando métodos cada vez mais autoritários e violentos, como a utilização de máscaras para ocultar a identidade de seus agentes, culminando na Operação “Metro Surge”, em Minnesota, no mês de Dezembro.

Operação Metro Surge e o assassinato de Reene Good e Alex Pretti

O início dessa operação marcou uma das fases mais brutais da violência da polícia migratória americana. Com a chegada dos agentes do ICE em Minneapolis, diversos movimentos e ativistas adotaram a tática pacífica de acompanhar, expor e denunciar as ações desses agentes. Mesmo isso não impediu as ações violentas da polícia migratória, culminando no assassinato de Reene Good, uma americana de 39 anos, por parte do ICE em 7 de janeiro deste ano. Isso abriu uma grande jornada de mobilizações e demonstrações de solidariedade ativa, desde pessoas abrindo suas residências para seus vizinhos que estejam sob risco, até a criação de movimentos que fazem a proteção armada, mas pacífica, dos seus bairros. Estavam sendo organizadas até mesmo mobilizações durante a noite em frente aos hotéis nos quais os agentes do ICE estão hospedados. Além das mobilizações, também se abriu um forte embate entre as forças policiais de Minneapolis e o ICE, com o chefe de polícia da cidade denunciando as práticas violentas e sem cabimento da agência federal.

No entanto, a brutalidade não diminuiu. Mesmo com as mobilizações que se deram no dia 23 de janeiro sob uma forte nevasca em Minneapolis, os agentes migratórios federais assassinaram Alex Pretti, um americano trabalhador da saúde. O movimento reagiu e convocou rapidamente manifestações, que se nacionalizaram, em mais de 250 cidades, e que em Minneapolis reuniu mais de 100 mil pessoas, com uma palavra de ordem muito nítida: Abolir o ICE. Em Minneapolis também foi convocada uma greve e uma política de boicote, na qual foram registrados 700 pequenos negócios que não abriram suas portas, uma forte demonstração da adesão popular.

A situação em Minnesota demonstrou como, em primeiro lugar, o movimento de massas tem uma experiência acumulada muito importante, que é fruto de enfrentamentos espalhados pelo país nos anos anteriores, não à toa a miríade de formas de resistência que estão sendo experimentadas é muito rica e tem proporcionado um enfrentamento muito ativo à polícia imigratória. E, em segundo lugar, que a abolição do ICE é uma das tarefas mais urgentes para que se possa dar um basta na perseguição, prisões e assassinatos da população que estão sendo presenciados nos Estados Unidos. A coragem e resiliência da resistência americana é um símbolo para todas as lutadoras e lutadores ao redor do mundo, a derrota do imperialismo só pode ser completa se a solidariedade internacional e a luta interna dos EUA estiverem em sintonia. O racismo e a xenofobia são alguns dos pilares da extrema direita ao redor do mundo, seja na Alemanha com a AfD, na França com Le Pen e seus asseclas, no Brasil com o Bolsonarismo, ou em sua expressão máxima na polícia política de Trump, o ICE. Derrotar essa política, seja nos EUA ou no Brasil, é um passo importante e cabe a nós a solidariedade ativa e a denúncia permanente contra o inimigo número um da humanidade — o neofascismo.


Imagem O Futuro se Conquista

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