Na minha escola redpill não se cria: a necessidade de organizar a juventude nas escolas
Foto: Monna Rodrigues | Comunicação Juntos!

Na minha escola redpill não se cria: a necessidade de organizar a juventude nas escolas

O avanço da misoginia nas escolas não é um fenômeno isolado: faz parte da ofensiva da extrema-direita, que utiliza as redes sociais para espalhar a cultura redpill e discursos de ódio entre a juventude. Diante desse cenário, fortalecer a organização estudantil e a luta feminista nas escolas é fundamental para enfrentar a violência e transformar a realidade.

Ana Clara Passos Pantaleão e Carol Reis 11 maio 2026, 15:19

No último período, temos assistido ao avanço de uma cultura de ódio que atinge diretamente a juventude e, em especial, as mulheres. Impulsionada pelo crescimento da extrema-direita, essa ofensiva tem encontrado nas redes sociais um terreno fértil para se expandir, e já se expressa de forma concreta dentro das escolas.

Quando um menino de 14 anos começa a chamar as colegas de “feministas chatas” ou a repetir que “mulher boa é mulher submissa”, essa ideia não surgiu repentinamente. Alguém ensinou. E, hoje, esse “alguém” muitas vezes tem nome: são os algoritmos das redes sociais.

A ideologia red pill não surgiu por acidente, nem se espalhou de forma espontânea. Ela faz parte de um movimento político organizado, impulsionado por setores da extrema-direita, que encontraram nas plataformas digitais um caminho eficaz para alcançar jovens, especialmente aqueles mais vulneráveis ao isolamento, à frustração e à falta de perspectiva. E esse processo está chegando cada vez mais cedo dentro das escolas.

O que vemos hoje não é novidade. A análise histórica do fascismo já demonstrou que esse tipo de ideologia não desaparece, ele se reinventa, se adapta às novas formas de comunicação e reaparece quando encontra terreno fértil. A cultura red pill é, no fundo, a mesma misoginia enraizada na sociedade, agora repaginada em memes, vídeos curtos e podcasts que circulam diretamente no celular de adolescentes.

E os efeitos disso não ficam na internet. Eles aparecem nos corredores, nas salas de aula e nos grupos de WhatsApp. Comentários que antes causariam indignação passam a ser tratados como normais. Piadas viram comportamento. Comportamentos viram agressões.

A misoginia não começa de forma explícita ou extrema. Ela começa de forma sutil, com uma piada, um comentário, de modo que, cada vez mais, vai escalonando. E, quando isso acontece, abre caminho para formas cada vez mais graves de violência.

Para enfrentar esse cenário, não basta indignação dispersa: é urgente organizá-la. Precisamos retomar a cultura de mobilização nas escolas e construir um levante feminista capaz de responder, à altura, aos ataques que a juventude vem sofrendo. A nova geração cresce marcada pela falta de perspectiva e isso não é por acaso. É fruto também da ausência de uma consciência prática de que é a luta que arranca conquistas.

As mulheres sempre estiveram na linha de frente. Em 2016, nas ocupações das escolas, foram parte central da organização e da resistência. Logo depois, protagonizaram uma das maiores mobilizações recentes, o Ele Não, enfrentando nas ruas o avanço da extrema-direita. É na luta coletiva, ocupando os espaços, que as mulheres transformam a realidade.

Por isso, é urgente organizar a luta dentro das escolas para enfrentar, sem recuo, a cultura do assédio e a ofensiva redpill.

Nossos grêmios estudantis não podem ser espaços burocráticos ou esvaziados, precisam ser instrumentos de combate. Devem organizar a luta feminista no cotidiano escolar, transformar o que hoje é vivido de forma isolada em resistência coletiva e construir respostas concretas contra a violência. Não há neutralidade possível diante do avanço da extrema direita sobre a juventude.

Isso passa por ações concretas: organizar assembleias e rodas de conversa sobre violência contra as mulheres; construir coletivos feministas nas escolas; criar canais seguros de denúncia e apoio; enfrentar publicamente episódios de assédio e misoginia; promover campanhas de conscientização nos corredores e nas redes; pressionar a direção por posicionamento e medidas efetivas; e fortalecer grêmios que estejam, de fato, a serviço da luta das estudantes.

Só a organização autônoma das estudantes feministas é capaz de enfrentar de fato o avanço do fascismo e da cultura red pill nas escolas. É essa organização que rompe o silêncio imposto, constrói consciência e abre caminho para transformar a realidade.

Dessa forma, propomos o dia 19 de maio como o pontapé de uma nova onda de luta feminista, com levantes em cada escola para que possamos responder à altura. Um dia de denúncia e organização, queremos fortalecer o movimento estudantil, com grêmios e coletivos feministas! 

Se o ataque da extrema direita é firme, nossa resposta precisa ser ainda maior, mais forte e mais organizada. Queremos tomar cada escola com mobilizações para dizer que não toleramos a cultura da misoginia! Queremos que o 19 de maio seja um marco de referência para mostrar que é através da mobilização que se organiza a luta, e que é possível, a partir de um movimento estudantil organizado e radical, destravar tantas outras lutas dentro das nossas escolas .

 VEM COM O JUNTOS CONSTRUIR A CAMPANHA NA MINHA ESCOLA REDPILL NÃO SE CRIA! E MOBILIZAR SUA ESCOLA NO DIA 19!


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