Juntos somos Aldeia Maracanã!

13/jan/2013, 20h47

Veja relato de Beatriz Pimentel, estudante da UFF e do Juntos RJ!,
sobre a presença da PM na tentativa de desocupação da Aldeia Maracanã

A Aldeia Maracanã, situada junto ao Museu do Índio no entorno do
estádio, está ameaçada de desocupação pelo governo Sérgio Cabral.
Apesar de haver legislação que impede a demolição, o governo Cabral já
anunciou que haverá reintegração de posse do espaço (veja mais sobre
Aldeia Maracanã aqui e aqui  ).

Nós podemos impedir esse absurdo! Não permitiremos um novo Pinheirinho!

Aldeia Maracanã – relato da tarde de sábado, 12/01/13

Sábado friozinho no Rio. Delícia de bom lugar prá ler um livro. Com o
netbook do lado da cama, nem levanto prá dar bom dia antes de abrir o
face, email, etc. Mal tinha acordado, a primeira notícia da minha
timeline era um apelo, um grito de socorro com imagens da polícia
cercando o Museu do Índio, a Aldeia Maracanã. Pessoalmente não
acreditava na rapidez da investida do governo, logo após a – brilhante
! – campanha de oposição que realizamos em outubro. Tomei um banho,
vesti o meu “nada deve parecer impossível de mudar”, comi qualquer
coisa e fui prá lá, me juntar aos, pelo menos, duzentos militantes
contrários à invasão daquele espaço pela força policial do choque da
PMERJ. Éramos muitos, com muitas bandeiras e um objetivo: defender
aquele lugar, na sua perspectiva simbólica e física.

A luta na Aldeia Maracanã não começou nas discussões acerca de Copa do
Mundo e mega-eventos. Essa é uma disputa que existe há anos e se
acentua de acordo com a “cotação” do mercado político-imobiliário.

É importante destacar, prá além das paixões da militância – que são
ótimas e nos movem! – as questões concernentes àquele espaço. O local
onde está o Museu do Índio, não é originalmente “propriedade”
indígena, ele é uma ação de trato do governo para com o patrimônio
indígena, e não uma ação sócio-cultural para com os índios. Ação essa
que foi extensivamente mal gerida, diga-se de passagem. Tenho pelo
menos dez amigos que sequer sabiam que “morava gente naquele prédio
abandonado”. Ou seja, ao longo dos anos, houve sim esse processo de
ocupação habitacional indígena no espaço originalmente pensado como
Museu, o que aponta as questões onde quero chegar: a política de
segurança habitacional para a população indígena é um fracasso
nacional; a gestão de patrimônios culturais públicos é pífia. Com essa
combinação temos a Aldeia Maracanã! Um espaço que foi ocupado através
da identificação simbólica entre a população indígena e o museu
dedicado à sua cultura, e que foi ressignificado do ponto de vista de
usos. Aqui é a chave da questão: enquanto o governo argumenta a
legalidade da (des)ocupação, um pouquinho de estudos culturais
antropológicos e afinidade com a causa dos direitos humanos nos leva a
pensar legitimidade.

Enquanto o governo Cabral-Paes-Empresa-Privada-Que-Dança-A-Música
enxerga terra como valor financeiro no mercado imobiliário, a
população indígena enxerga terra como território, representação
simbólica de uma resistência histórica – e execrada – nesse país. Há
tribos, famílias inteiras, gente pequenininha que nasceu lá e brincava
de correr atrás da borboleta enquanto a gente esperava a entrada
truculenta da polícia sob a ordem decidida coletivamente: “A nossa
resistência é pacífica. Não dá prá defender direitos humanos jogando
pedra em policial, agredindo outro ser humano. É tudo que a mídia quer
prá chamar todo mundo de bandido. Se for prá apanhar, a gente vai
apanhar calado!”.

Nós vamos apanhar calados, dar a outra face e continuar lutando, nas
ruas e nas redes, quantas vezes mais for preciso com e por causa da
essência que nos move, que é, e sempre será o Amor.

PARTICIPE DO TUITAÇO EM DEFESA DA ALDEIA MARACANÃ HOJE, DOMINGO (13/01) ÀS 21H!