Marcos Prisco: prisão política e abusiva. Liberdade aos que lutam!

20/abr/2014, 21h32

por Rodolfo Mohr e Sara Azevedo*

Marcos Prisco, líder das últimas três greves da PM na Bahia, foi preso na última sexta-feira pela Polícia Federal (PF). A prisão, motivada pela greve de 2012, ocorreu um dia após o encerramento da vitoriosa greve dos PMs baianos. Prisco teve seu carro cercado por dezenas de agentes da PF, fortemente armados, e ação contou até com helicóptero. O soldado estava com a esposa e filhos. A ação de surpresa é mais uma prisão política no Brasil marcado pelos protestos sociais, que tomam o país desde as jornadas de junho.

Policias da Bahia, Maranhão e Pará estiveram recentemente em greve, por salários e condições de trabalho. Justamente a categoria profissional usada pelos políticos para reprimir os protestos, agora volta-se contra os governos, por lutas semelhantes as que ocorrem em todo o país. São mobilizações diretamente influenciadas pelas heroicas e vitoriosas greves dos garis do Rio de Janeiro e dos rodoviários de Porto Alegre, que contagiaram e encorajaram lutadores de diversas matizes políticas.

Apoiar a luta desses trabalhadores é um dever de todos aqueles que querem avançar na consciência de luta dentro da nossa sociedade, através de pautas como a desmilitarização das polícias. Vale lembrar que todas as revoluções vitoriosas, tiveram apoios de setores das Forças Armadas, especialmente soldados e praças, construindo assim novos e vitoriosos processos.

A sanha repressiva que emana do Ministério da Justiça de José Eduardo Cardozo – conectado com as repressões do PMDB no Rio e dos tucanos em São Paulo, tiveram o apoio do Ministério Público Federal. Prisco foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, por suposto incentivo à desordem pública.

Prisco é um preso político, que está sendo duramente humilhado para servir de exemplo a outros policiais indignados com seus salários e condições de trabalho. Sem falar nos que se negam e não compactuam em atuar como braço repressivo dos governos de plantão.

Jaques Wagner, governador da Bahia e do PT, diz que a prisão não é sua responsabilidade, mas tem a cara de pau de atribuir a Prisco a responsabilidade da violência urbana em Salvador. Antes de falar de Prisco e da greve, Wagner deveria se deter sobre a incapacidade de seu governo de quase 8 anos ou do prefeito de Salvador, ACM Neto do DEM. Ao contrário disto, há uma santa aliança em criminalizar Prisco e todas as demandas sociais que se manifestam nas ruas, em passeatas e greves.

Está evidente o movimento orquestrado para tirar Prisco de cena e tentar coagir outros movimento grevistas. A deceisão de colocar Prisco, sendo policial, numa mesma cela com outros 15 presos “comuns”, gera um grave risco à sua integridade física e à sua vida. Hoje, a Ordem dos Advogados do Brasil pronunciou-se favorável à mudança de Prisco para uma cela separada, para manutenção da sua vida.

Esse tipo de expediente usado pelo governo petista, em níveis federal e estadual, é nefasto e abusivo. Esta lei do ano de 1983, abre um precedente que atinge a todos nós que lutamos por liberdade desde antes da ditadura militar. Não queremos a repetição da mesma história. Cercear o direito de greve a inimigos políticos são métodos dignos de regimes autoritários no campo da luta política e social. A nós, cabe apoiar integralmente a luta desses trabalhadores e exigir a liberdade daqueles que lutam.

O Juntos está, desde o momento da prisão de Prisco, atuando em Brasília e nas redes sociais para a libertação do mesmo. Estivemos ontem no STF, acompanhando os advogados da ASPRA (Associação de Policiais e Bombeiros militares da Bahia) ao entregar o pedido de Habeas Corpus, que foi encaminhado para a ministra Carmem Lúcia que até o presente momento não se manifestou. Estivemos também hoje, duas vezes, pela manhã e a tarde, no Presídio da Papuda, onde o Prisco encontra-se preso, prestando solidariedade. Estivemos com os advogados da ASPRA entregando a petição à Ordem dos Advogados do Brasil, que exige as garantias mínimas de segurança para Prisco, enquanto estiver preso.

Todos os que defendem as causas populares e lutas sociais devem se engajar na campanha “Liberdade aos que lutam! Soltem Prisco!” pelas redes sociais e contatando seus amigos em Brasília para participar dessa luta. Para saber de mais informações entre em contato pelo e-mail rodolfo@juntos.org.br, de Rodolfo Mohr, do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos, que mora em Brasília.

Liberdade aos que lutam!

#PriscoLivre

*Rodolfo e Sara são do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos e estão acompanhando essa luta, desde Brasília.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017