Na UnDF, o futuro se conquista!
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Na UnDF, o futuro se conquista!

Após 60 dias de greve, estudantes arrancam conquistas históricas na UnDF. Na UnDF, o futuro se conquista!

A história da Universidade do Distrito Federal (UnDF) nasce da luta. Diferente do que tentam vender os governos de plantão, universidades públicas não surgem como concessão benevolente do Estado. Elas são fruto da pressão social, da mobilização popular e da insistência daqueles que compreendem a educação pública como direito, e não como privilégio. No Distrito Federal, a construção da UnDF carrega exatamente esse significado: o de uma conquista arrancada pela força coletiva dos movimentos sociais, da juventude e da luta em defesa da educação pública.

Foi nesse cenário que surgiu o Diretório Central Acadêmico (DCA) da UnDF. Em um contexto marcado pelos impactos da pandemia, pela fragmentação das mobilizações e pela dificuldade de organização política dentro das universidades, os estudantes decidiram construir um instrumento de luta capaz de organizar as demandas estudantis e enfrentar os ataques à permanência e à democracia universitária. Desde o início, a construção do DCA incomodou setores alinhados à antiga gestão da universidade, que apostavam na despolitização dos estudantes e na fragilidade da organização coletiva. Ainda assim, o movimento estudantil avançou.

A construção do DCA significou muito mais do que a criação de uma entidade formal de representação. Foi um processo de reorganização política dos estudantes da UnDF. Através de assembleias, escutas nos campi, fortalecimento dos centros acadêmicos e debates permanentes sobre permanência estudantil e democracia universitária, o movimento estudantil começou a consolidar uma nova etapa de organização dentro da universidade.

Foi dessa reorganização que nasceu a greve estudantil da UnDF.

A greve teve como eixo central barrar o aluguel de um campus do IESB na Ceilândia, contrato estimado em cerca de 110 milhões de reais. A posição construída pelo DCA nunca foi contra a existência de um campus na Ceilândia. Pelo contrário: a defesa sempre foi pela expansão da universidade para a região administrativa mais populosa do Distrito Federal. O problema era o modelo defendido pela antiga reitoria: investir milhões em uma estrutura privada e alugada, em vez de construir um campus próprio da universidade, que pudesse se consolidar como patrimônio público permanente para a população do DF.

Ao mesmo tempo, a greve também enfrentou outra medida profundamente excludente da antiga gestão: a transferência de cursos do Campus Norte para o campus alugado na Ceilândia. Através de uma pesquisa organizada pelo próprio DCA, os estudantes demonstraram que quase 70% dos casos de evasão estavam diretamente ligados às dificuldades de mobilidade e distância. Em um Distrito Federal marcado pela desigualdade territorial, ignorar o tempo de deslocamento dos estudantes significa, na prática, expulsar parte deles da universidade pública.

A luta pela permanência estudantil também esteve no centro da greve. Os estudantes denunciavam a precarização das condições de permanência e reivindicavam a reformulação dos editais de assistência estudantil, além da criação do auxílio alimentação e do auxílio inclusão digital. Porque não basta abrir as portas da universidade: é preciso garantir condições concretas para que os estudantes permaneçam nela.

Outro elemento central da mobilização foi a luta pela democratização da UnDF. Desde o início da greve, o DCA defendia a realização da primeira eleição democrática para a reitoria da universidade, entendendo que não existe universidade pública de verdade sem participação efetiva da comunidade acadêmica nas decisões institucionais.

Ao longo dos quase cinquenta dias de greve, os estudantes elevaram o nível de organização política dentro da universidade. Foram realizados atos, assembleias, paralisações e intervenções que romperam os muros da UnDF e colocaram a pauta estudantil no centro do debate público do Distrito Federal. O fechamento da W3 Norte, os atos na Câmara Legislativa do Distrito Federal e a participação no Colégio de Líderes da CLDF ampliaram a pressão política sobre o Governo do Distrito Federal e evidenciaram a força que o movimento estudantil havia acumulado naquele processo.

Um dos momentos mais marcantes da greve foi a ocupação realizada pelos estudantes, aprovada em Assembleia Geral e organizada ao longo de 48 horas. A ocupação tinha um objetivo político muito claro: fazer com que a UnDF entrasse definitivamente na pauta pública do DF. Por ser uma universidade nova e inicialmente instalada em uma região elitizada como o Lago Norte, grande parte da população sequer conhecia a existência da instituição. A ocupação rompeu esse isolamento político.

Durante as 48 horas, os estudantes organizaram atividades culturais, debates políticos, rodas de conversa e espaços de formação. Entre as atividades mais marcantes esteve o debate realizado em conjunto com Keka Bagno, então vinculada à Secretaria da Comissão de Direitos Humanos da CLDF, que reuniu dezenas de estudantes para discutir o papel histórico do movimento estudantil, a importância da greve e os desafios da organização política da juventude. A atividade tornou-se uma das maiores e mais simbólicas de toda a greve, fortalecendo a consciência coletiva e a compreensão da mobilização como instrumento legítimo de transformação social.

Mesmo diante de ameaças, tentativas de criminalização e ataques da antiga gestão, os estudantes mantiveram a greve ativa. A postura da reitoria pró-tempore foi marcada, durante todo o processo, pela ausência de diálogo e pela incapacidade de construir qualquer negociação séria com o movimento estudantil. Ainda assim, a força construída coletivamente pelos estudantes alterou a correlação de forças dentro da universidade.

Ao final dos quase cinquenta dias de greve, uma das principais vitórias políticas arrancadas pela mobilização foi a exoneração da reitora pró-tempore, cuja gestão ficou marcada pelo autoritarismo e pela recusa permanente ao diálogo com os estudantes. Além disso, a greve conquistou a abertura de uma mesa de negociação com a nova gestão da universidade, a garantia de permanência dos estudantes do Campus Norte até a conclusão de seus cursos, o avanço no processo de construção da primeira eleição democrática para a reitoria, prevista para ocorrer nos meses seguintes e o compromisso formalizado em ata para acompanhamento das pautas apresentadas pelo movimento.

Nesse processo, também teve importância a atuação institucional do deputado distrital Fábio Félix, que contribuiu na articulação política dentro da Câmara Legislativa e na mediação junto ao Governo do Distrito Federal para abertura de diálogo com os estudantes.

A experiência da greve da UnDF reafirma uma lição histórica do movimento estudantil brasileiro: nenhuma conquista vem sem luta. Foi a mobilização coletiva que garantiu avanços concretos para os estudantes e abriu caminho para uma universidade mais democrática. Mais do que uma greve contra medidas específicas da antiga gestão, o processo vivido na UnDF representou a consolidação de um movimento estudantil combativo, organizado e disposto a disputar os rumos da universidade.

Em tempos de apatia política e avanço da precarização da educação pública, a experiência da UnDF demonstra que somente a organização coletiva pode enfrentar os projetos de sucateamento da universidade. O DCA saiu desse processo mais forte, mais enraizado entre os estudantes e mais preparado para os próximos desafios. Porque defender a universidade pública exige muito mais do que resistência: exige mobilização permanente, independência política e disposição para lutar até o fim. 


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