Projeto da reitoria da USP de ensino híbrido acende alerta para as universidades públicas
Ensino hibrido USP

Projeto da reitoria da USP de ensino híbrido acende alerta para as universidades públicas

Projeto da reitoria da USP avança para a consolidação do ensino remoto fora de situações emergenciais

Davi Barbosa Bonfim 16 fev 2021, 21:19

Hoje tivemos acesso a um edital publicado pela Pró-Reitoria de Graduação da USP que aponta para a incorporação permanente do ensino híbrido na universidade. Ou seja, os cursos passariam a ter EAD (Ensino à Distância) junto ao ensino presencial de forma permanente, e somado a isso há também uma proposta de reformulação, parcial ou completa, das grades curriculares de alguns cursos para atender a esse tipo de ensino. Esse é um grave ataque ao ensino de qualidade na USP. 

A reitoria, sob a premissa de que é necessário “modernizar” a universidade, justificou a adoção do ensino híbrido diante de um balanço mentiroso do que foi a experiência com o EAD durante esses meses de isolamento. Diferente do que afirma a reitoria, foram muitas as dificuldades enfrentadas por estudantes, professores e funcionários com o ensino remoto precário, que ainda deve perdurar pelo menos até o próximo semestre. Não havia um plano pedagógico, funcionários e professores não tinham preparo para lidar com essa forma improvisada de ensino e muitos alunos se encontravam excluídos do EAD devido a desigualdade no acesso a equipamentos e à internet.  

O projeto de precarização da universidade do reitor da USP, Vahan Agopyan, em seu último ano de mandato, e do governo de João Doria se reflete nessa proposta de ensino híbrido, que quer, a partir da situação inédita da pandemia, impor um tipo de ensino excludente e que ameaça o tripé ensino, pesquisa e extensão da universidade pública. Infelizmente, essa situação que atravessa a USP pode chegar em outras universidades estaduais e federais do estado de São Paulo e também do país, como parte de uma disputa que as reitorias e governos também estão fazendo sobre qual deve ser o papel da universidade no próximo período, que para eles é mais precarizada e excludente.

O movimento estudantil, portanto, deve estar atento e denunciar imediatamente qualquer tentativa de implementação de ensinos híbridos ou EADs em nossas universidades após o fim do isolamento. A nossa disputa pelo papel da universidade pública no próximo período deve ser a luta por uma universidade gratuita, de qualidade, que atenda as demandas de permanência estudantil de seus alunos  e que seja parte da superação da pandemia no nosso país. No Seminário Nacional de Movimento Estudantil que acontece nesta sexta e sábado (19 e 20 de fevereiro), iremos debater esse e outros desafios que o movimento estudantil terá para enfrentar os ataques e os cortes nas universidades públicas e escolas.

Ensino híbrido não! Queremos uma universidade de qualidade e para todos!

Inscreva-se para o Seminário clicando aqui


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