Ir às ruas e retomar a ofensiva
Reprodução Nexo Jornal

Ir às ruas e retomar a ofensiva

Nossos desafios depois da manifestação bolsonarista em São Paulo

Theo Louzada Lobato 26 fev 2024, 20:14

O dia 25 de fevereiro passou, trazendo cerca de 180 mil pessoas para a Avenida Paulista em defesa de Bolsonaro. O ex-presidente mostrou que segue com relevância no cenário nacional, mas não pareceu ser capaz de mudar a correlação de forças no país. Centrado no pedido de anistia, demonstrou que ainda estava atuando a partir de uma política defensiva, ao mesmo tempo que aproveitou o ato para demonstrar seu peso na sociedade.

A manifestação foi, na prática, uma tentativa de Bolsonaro em conseguir se afirmar em um momento em que está em maior fragilidade e risco. As operações da Polícia Federal explicitaram suas movimentações golpistas e ameaçaram, pela primeira vez, sua prisão. Após os atos, estas não só devem se manter, como incluíram a fala do Presidente no ato como parte de seu inquérito. Algumas falas, como a de Silas Malafaia, demonstraram a ainda existência de um setor da extrema-direita disposto à radicalização, mas não foram a regra nem a narrativa do próprio Bolsonaro, que fez uma intervenção hipócrita em defesa do Estado de Direito e da anistia dos seus golpistas.

É óbvio que a suposta “moderação” de Bolsonaro é tática – subestimar a extrema-direita ou acreditar que ela seguirá em recuo sem que haja resposta da nossa parte é dar espaço para sua recuperação. Ou seja, se queremos efetivamente derrotar Bolsonaro e garantir que a luta pela sua prisão e de seus aliados, como forma de desmoralizar seu projeto, é preciso debater como a rua pode ser retomada também pela esquerda.

Nesse sentido, a existência de uma data unificada de mobilização já é um passo: as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo já indicaram para o dia 24 de março uma mobilização unificada. Termos um calendário definido, de fato, é bastante importante, mas a data com um mês de distância do ato bolsonarista e com o perfil domingueiro que as mesmas frentes articulavam nos atos de Fora Bolsonaro, demonstram que sozinha, a data pode ser insuficiente.

Por isso, a juventude precisa ser um instrumento no aquecimento das iniciativas de ruas pelo país. De atos organizados pelo movimento estudantil, à calouradas que consigam reforçar a necessidade dessa luta, março precisa construir um calendário de mobilizações que reforcem a urgência da prisão de Bolsonaro. O 8 de março e o dia 14 de março – data que marca 6 anos do assassinato de Marielle – podem ser fundamentais nesse sentido.

Nós, do Juntos, lançamos recentemente a campanha Bolsonaro Na Cadeia, exatamente com o objetivo de agrupar todos aqueles que querem se dispor na construção de iniciativas pela punição dos golpistas. Esse deve ser o desafio central de toda nossa militância: precisamos combater a extrema-direita nas ruas o quanto antes, sem sectarismo e buscando ativamente todos aqueles que tiverem dispostos a lutar para construir iniciativas, mas sem cair na paralisia. Nossa aposta precisa ser de que só com as ruas é possível derrotar efetivamente os golpistas.


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